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Notícias

"O jovem não vê mais a cara feia da Aids", diz sanitarista


Nova geração não se cuida, segundo Mariângela Simão, que assume coordenação de órgão da ONU para prevenção da doença

Nova coordenadora de prevenção da Unaids (braço da ONU para a AIDS), a médica Mariângela Simão, 54, diz que o uso da CAMISINHA tem caído entre os jovens. Ela deixou nesta semana a direção da área de DST/AIDS do Ministério da Saúde para assumir o cargo na ONU. Segundo a sanitarista, a nova geração não acompanhou o drama dos primeiros infectados pela AIDS e, por isso, não se cuida. "O jovem não vê a cara feia da AIDS."
FOLHA - O que é preciso fazer para reduzir os números da AIDS no Brasil?
Mariângela Simão - O que se faz é investir na informação e no trabalho com as populações que têm maior prevalência. Entre os gays jovens vem sendo observado um aumento do número de casos. Esse quadro ocorre também nos EUA, na França e na Inglaterra.
No Brasil, onde a sra. encontrou resistência ao trabalho de prevenção?
A resistência foi maior em relação a usuários de droga. Cada vez que se toca no tema redução de danos, as forças conservadoras se levantam. Estávamos trabalhando com o mundo real, em que há pessoas que usam drogas e estão vulneráveis à transmissão do HIV, com a troca de seringa.
Pesquisas mostram um relaxamento em relação à CAMISINHA. O que se pode fazer?
Isso acontece principalmente entre jovens gays. Não se vê mais a cara feia da AIDS, do começo da década de 90. Não se considera que é uma doença sem cura, que você tem que tomar drogas todos os dias com efeitos colaterais de longo prazo.
Qual é a saída, então?
Criar uma cultura de prevenção. Tenho dois filhos, um tem 19, e o outro 22. Em casa, sempre teve PRESERVATIVO. A gente queira ou não, os filhos decidem quando vão começar a transar. Os pais têm que abrir esse diálogo.
ANGELA PINHO
LARISSA GUIMARÃES

Folha de São Paulo: 29.07.10
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